copy of Terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Tratamento anti-HIV
Abacavir e ddI relacionados ao maior risco de ataques cardíacos
Muito se sabe sobre a relação entre a terapia anti-HIV e o maior risco de doenças cardiovasculares.
Resultados recentes do estudo DAD apresentados durante Décima-Quinta Conferência sobre Retrovírus e Doenças Oportunistas (CROI) sugerem que o tratamento com os NRTIs [Inibidores da Transcriptase Reversa Nucleosídeos] abacavir (Ziagen, também em combinação com os comprimidos Kivexa e Trizivir) e ddl (didaosina, Videx) aumenta significamente o risco de infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco.
Mais de 30.000 pacientes estão registrados para o estudo DAD e os investigadores acompanharam os dados por sete anos a fim de checar se houve associação entre o tratamento com NRTIs e o risco aumentado de infarto do miocárdio.
Eles descobriram que o tratamento com o abacavir, nos seis meses anteriores, aumentava o risco de infarto do miocárdio em 94% e que o tratamento recente com o ddl aumentava em 53% o risco de ataque cardíaco.
Os pesquisadores acreditam que as descobertas tem particular importância para as pessoas que apresentam alto risco de doença cardíaca. Por exmplo, as pessoas que fumam ou aquelas que possuem um histórico familiar de doença cardiovascular.
Deixar de fumar, fazer exercícios físicos regularmente e seguir uma boa dieta podem reduzir o risco de ataque cardíaco. Os pesquisadores afirmam também que um fumante tomando abacavir reduziria mais o risco de doenças cardíacas parando de fumar do que deixando de tomar o abacavir.
Eles recomendam que os pacientes tomando qualquer dos medicamentos e que estão preocupados com seus riscos de ataque cardíaco deveriam conversar com seus médicos com relação à troca ou não do medicamento.

Atazanavir em pacientes novos ao tratamento
De acordo com os princípios atuais do Reino Unido para tratamento de HIV , o Atazanavir (Reyataz) não é recomendado para terapia anti-HIV de primeira linha. Recomenda-se, então, o Kaletra (lopinavir/ritonavir) para pacientes novos ao tratamento, o que é uma opção específica entre pacientes que decidem começar tratamento com inibidores de protease.
O Atazanavir possui algumas vantagens. É tomado apenas uma vez ao dia e parece ter menos probabilidade de causar diarréia em comparação aos outros inibidores de protease.
Um estudo apresentado à CROI mostrou que o atazanavir reforçado pelo ritonavir poderia ser uma opção segura e eficaz para as pessoas iniciando tratamento anti-HIV. Comprovou, também, que os pacientes que começaram a terapia anti-retroviral com uma combinação de medicamentos incluindo o atazanavir de dose única foram tão propensos a ter uma carga viral indetectável (abaixo de 50 cópias/ml) após um ano, quanto os pacientes que começaram tratamento com um regime contendo o Kaletra tomado duas vezes ao dia
As contagens de células CD4 aumentaram da mesma forma em pacientes tomando os dois medicamentos.
Menos pacientes tomando o atazanavir sofreram náusea ou diarréia. E, em pacientes tratados com atazanavir, as taxas de gordura no sangue também foram mais baixas. Mas o atazanavir pode causar um efeito colateral chamado hiperbilirubinemia, o qual involve um amarelado da pele e branco dos olhos.

Interrupções do tratamento
Há dois anos, o estudo SMART, que enfocava a interrupção do tratamento, terminou antes do esperado. Descobriu-se que os pacientes instruídos a deixar de tomar os medicamentos para CD4 por um tempo tiveram mais probabilidade de desenvolver doenças relacionadas ao HIV e algumas doenças não-relacionadas ao HIV do que os indivíduos que estavam em tratamento para HIV contínuo.Foi demonstrado, após 18 meses da conclusão do estudo, que as taxas das infecções oportunistas relacionadas ao HIV e de morte por outra causa permaneceram mais altas em pacientes que deixaram de tomar o medicamento por um período do que em pacientes que tomaram a terapia de HIV contiuamente.
Os investigadores sugerem que “a interrupção da terapia anti-retroviral está associada com consequências de longo prazo acima do período de interrupção do medicamento.”

Vicriviroc
Ano passado, o maraviroc (Celsentri) foi o primeiro inibidor CCR5 a ser aprovado.
Outros medicamentos desta classe de anti-retrovirais vêm apresentando bons resultados nos testes clínicos e há conclusões animadores desses estudos com relação à segurança e eficácia de um medicamento, o vicriviroc.
Dados recentes dos testes mostram que 30mg de uma dose única do vicriviroc é confiável e eficaz em pacientes com experiência no tratamento. No estudo, indivíduos experientes com o tratamento foram escolhidos aleatoriamente para tomar ou o vicriviroc ou um placebo, mais a terapia de base otimizada.
Pacientes que tomaram vicriviroc tiveram quedas mais significativas em suas cargas virais do que aqueles que tomaram o placebo.Também, apresentaram mais aumentos em suas contagens de células CD4. Ademais, menos dos pacientes tratados com vicriviroc sofreram perda virológica.
Efeitos colaterais ocorreram na mesma frequência em pacientes que tomram vicriviroc e aqueles que foram escolhidos aleatoriamente para receber o placebo.
Novo inibidor CCR5 - SCH532706
Um outro inibidor CCR5 sendo investigado em testes clínicos é o SCH532706. A potência desse medicamento é estimulada pelo ritonavir.
O medicamento está em fase inicial de desenvolvimento, mas resultados de doze pacientes HIV-positivos (quatro dos quais estavam em tratamento para HIV pela primeira vez) mostram que dez dias de tratamento com o SCH532706/ritonavir diminuiram significativamente a carga viral e aumentaram a contagem de células CD4.
O efeito colateral mais comum foi acidez no estômago, porém uma pessoa desenvolveu inflamação na bolsa em volta do coração (pericárdio), o que os pesquisadores pensam estar “possivelmente relacionado” ao medicamento.

Prevenção do HIV
Circuncisão
Existem evidências de queos homens circuncidados têm menos probabilidade de contrair o HIV.
O estudo foi conduzido em Rakai, Uganda, e envolveu mais de 1000 homens HIV-positivos. A incidência anual de HIV foi 14% dentre as esposas dos homens circuncidados e 9% dentre as esposas de homens não-circuncidados.
Investigadores descreveram esses resultados como “inesperados e decepcionantes.”
Porém, os homens HIV-positivos circuncidados foram um terço menos prováveis a apresentarem úlceras genitais. A infecção foi associada com o maior risco de transmissão do HIV.

Tratamento para herpes genital não reduz o risco de HIV em homens e mulheres
A infecção por herpes genital (HSV-2) tem sido associada com o risco maior de contração do HIV.
Sugere-se que o tratamento diário com o medicamento anti-herpes aciclovir poderia reduzir o risco de uma pessoa com herpes ser infectada pelo HIV.
Os indivíduos foram escolhidos aleatoriamente para administrar 400mg de aciclovir duas vezes ao dia ou um placebo. Houve 75 novas infecções dentre os pacientes que receberam o aciclovir e 64 daqueles que ficaram com o placebo.

Tratamento para HIV e infecciosidade
Semana passada, experts em HIV da Suíça afirmaram que indivíduos em terapia anti-HIV que possuem carga viral indetectável no sangue por seis meses ou mais e que não possuem uma infecção sexualmente transmissível não deveriam ser considerados capazes de transmitir o HIV para seus parceiros sexuais.
A afirmação foi controversa, mas ajudou a chamar a atenção para habilidade da terapia anti-retorviral de reduzir as transmissões do HIV.
O estudo durou três anos. Havia 62 casais no estudo, no qual um parceiro era HIV-positivo e o outro HIV-negativo. Somente um parceiro foi infectado com HIV durante o estudo e essa infecção aconteceu logo depois que o tratamento foi iniciado.
Pensa-se que esta infecção única aconteceu devido ao marido infectado ter apresentado uma resposta lenta à terapia anti-HIV e ter levado seis meses para atingir uma carga viral indetectável.
HIV e hepatitis C
HIV-positive gay men are becoming reinfected with hepatitis C
Vários surtos de hepatite C transmitida sexualmente foram relatados entre homens gays HIV-positivos.
Atualmente, evidências do Reino Unido sugerem que alguns homens vêm se re-infectando com hepatite C depois de administrar com sucesso a terapia para hepatite C. É possível que as infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e LGV [linfogranuloma venéreo], tenham sido parcialmente responsáveis pela re-infecção com hepatite C.

Terapia de manutenção com interferon pegilado sem valor
Apenas uma minoria de pacientes HIV-positivos com a infecção crônica do vírus da hepatite C possui uma boa resposta ao tratamento anti-hepatite C.
Os pacientes foram escolhidos aleatoriamente para administrar esse tratamento de manutenção ou para ser observados. O estudo tinha a intenção de durar 72 semanas. Os médicos analisaram as amostras de biópsias do fígado obtidas no início e final do tratamento, a fim de comparar a progressão da fibrose nos dois grupos de pacientes, observando se a terapia de manutenção valeu a pena.
No entanto, não houve diferença na taxa de fibrose entre os dois grupos de pacientes e o estudo terminou antes.
News from CROI 2008
- CROI: <i>Kivexa</i> and <i>Truvada</i> have similar efficacy and safety
- CROI: Symptom checklist may help rule out advanced HIV in infants
- CROI: Region of origin and gender significant in long-term changes in CD4 cell count during effective HIV therapy
- CROI: Tetherin: a newly discovered host cell protein that inhibits HIV replication
- CROI: Recreational drug use a risk for asymptomatic heart disorders in HIV-positive patients
- CROI: Risk of lymphomas depends on cumulative viral load and latest CD4 counts
- CROI: Tenofovir plus emtricitabine safe and effective when added to nevirapine for PMTCT
- CROI: Once daily <i>Kaletra</i> tablets non-inferior to twice daily dose
- CROI: Door-to-door Ugandan VCT programme finds more HIV-positive males than females among serodiscordant couples
- CROI: HAART Breastfeeding study detects drug resistance in HIV-infected infants
- CROI: MDR TB cases in South Africa - person-to-person spread likely to be chief cause
- CROI: Large cohorts show excellent responses to ART in developing countries
- CROI: Untreated HIV-positive individuals have a higher risk of death even at CD4 counts over 350
- CROI: Delaying HAART while treating opportunistic infections increases the risk of disease progression and death
- CROI: Herpes virus suppression with valaciclovir lowers viral load in HIV positive women: could work for gay men too
- CROI: Risk of second virological failure has declined since 1996, but risk of death remains stable
- CROI: Biomarker changes may help explain detrimental effects of treatment interruption
- CROI: Nanoparticle technology creates a once-a-month HIV drug
- CROI: Three children in US infected with HIV from pre-chewed food
- CROI: TDM-based PI dose escalation shows modest benefit in black and Hispanic, but not Caucasian, treatment-experienced patients
- CROI: People receiving TB treatment no more likely to die than others who start ARVs
- CROI: AIDS vaccine: additional infection risk restricted to uncircumcised men
- CROI: Darunavir found effective and tolerable in treatment-experienced children and adolescents at 24 weeks
- CROI: Could earlier ART reduce risk of death from non-AIDS related illnesses in people with HIV?
- CROI: Sustained response to hepatitis C treatment lowers liver complications and death in HIV/HCV coinfected people
- CROI: Unplanned pregnancy frequent among women after starting ARVs, need for family planning
- CROI: HAART use in mothers substantially reduces HIV infections in breastfeeding infants in Kisumu, Kenya
- CROI: Extended infant nevirapine prophylaxis reduces HIV transmission through breastfeeding
- CROI: Risk of treatment interruption persists after restarting HAART
- CROI: CCR5 antagonist SCH532706 shows potent activity and good tolerability in small trial
- CROI: Pegylated interferon maintenance therapy demonstrates no benefit in HIV/hepatitis C coinfected individuals
- CROI: DAD cohort finds increased risk of heart attack in people taking abacavir or ddI
- CROI: Lactobacillus supplementation could help reduce vaginal HIV
- CROI: Recurrent hepatitis C in HIV-positive gay men: relapse or reinfection?
- CROI: Vicriviroc appears safe and effective at higher doses in treatment-experienced patients after 48 weeks
- CROI: Once-daily boosted atazanavir comparable to twice-daily Kaletra in treatment-naive patients, with better lipid profile
- CROI: Aciclovir treatment for genital herpes does not reduce HIV acquisition in men or women, major trial shows
- CROI: ARV provision in Africa could cut HIV transmission by 90 per cent
- CROI: Circumcising HIV positive men may increase HIV infections in female partners, but fewer STIs seen
