Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008
Raltegravir em tratamento de primeira linha
Uma vantagem do raltegravir sobre o efavirenze é que provoca menos efeitos secundários.
Na actualidade, o inibidor da integrase raltegravir está apenas aprovado, tanto na Europa como nos EUA, para o uso em pessoas que já fizeram tratamento anti-VIH anteriormente.
Os investigadores quiseram, deste modo, demonstrar se a substância era eficaz e segura em pessoas a começar tratamento anti-VIH pela primeira vez.
A investigação mostrou que um número idêntico de pessoas (83% vs 84%) a tomar raltegravir e efavirenze – o actual fármaco de primeira linha – apresentava uma carga viral indetectável, após 96 semanas. Os aumentos das contagens de CD4 também eram muito semelhantes. Mas menos doentes a tomar raltegravir referiram efeitos secundários (51% vs 74%).
Início tardio do tratamento – o efavirenze apresenta melhores resultados que o lopinavir/ritonavir
Em muitos casos, o diagnóstico da infecção pelo VIH ainda é feito quando a pessoa já tem uma contagem baixa de células CD4. O diagnóstico tardio constitui, de facto, a razão que está por trás de muitos dos diagnósticos de SIDA e dos casos de mortalidade observados no Reino Unido e em muitos outros países.
Neste novo estudo, conduzido no México, quase três quartos dos doentes que iniciaram tratamento baseado em efavirenze apresentavam uma carga viral indetectável ao fim de um ano. A percentagem de doentes a fazer tratamento com lopinavir/ritonavir que atingia o mesmo objectivo era de apenas 50%.
Além disso, os doentes a fazer lopinavir/ritonavir apresentavam mais efeitos secundários.
Segundo as actuais guidelines terapêuticas do Reino Unido, o efavirenze é o fármaco de primeira escolha para os doentes a começar tratamento com qualquer valor de CD4.
Resultados do tratamento em locais de recursos limitados
Contudo, segundo uma investigação apresentada na Conferência, os resultados dos programas de tratamento ARV variam muito, consoante o país e a região em causa.
Por exemplo, os resultados da América Latina e Caraíbas mostram que a taxa de mortalidade, após um ano de tratamento ARV, variava entre uns reduzidos 2% na Argentina e cerca de 12% no Haiti.
Os resultados do Botswana mostravam que 89% dos doentes se encontravam vivos seis anos depois do início do tratamento. Quase metade das mortes havia ocorrido nos primeiros 3 meses do tratamento.
A taxa de sobrevivência aos seis anos para os doentes que haviam sobrevivido aos três primeiros meses era de 94 %. O investigador do estudo referiu: “ se conseguirmos manter os doentes vivos durante três meses, é provável que os consigamos manter vivos durante anos”.
Os resultados da China mostraram que 67% dos doentes apresentavam uma carga viral abaixo das 400 cópias/ml (que era o valor estabelecido neste estudo para definir uma carga viral indetectável), dois anos depois do início do tratamento.
Circuncisão
A triplicação do número de homens circuncidados poderia reduzir para metade o número de infecções VIH nos países mais atingidos pela epidemia, de acordo com um estudo apresentado na Cidade do México.
Mas poderia demorar até 50 anos até a circuncisão revelar todo o seu impacto na epidemia; e implicaria a circuncisão da maioria dos homens sexualmente activos com idades entre os 15 e os 45 anos.
Outros estudos mostraram que a circuncisão não estava associada a uma redução da função sexual e do prazer.
Prevenção positiva
Muitos estudos têm investigado os factores associados à prática de sexo desprotegido entre pessoas com VIH.
Um estudo na África do Sul mostrou que a prática de sexo desprotegido por mulheres VIH-positivas se encontrava associada a estar no desemprego, a ser submetida a abuso físico na relação, a estar só e marginalizada, e a sentir-se incapaz de negociar o uso de preservativo.
O mesmo estudo mostrou que um dos mais importantes factores preditivos da prática de sexo desprotegido por homens VIH-positivos era o consumo de álcool antes do sexo.
Na Conferência foi também apresentada investigação europeia sobre esta matéria. Ela mostrou, por exemplo, que as pessoas VIH-positivas com um parceiro também VIH-positivo, apresentavam uma probabilidade maior de praticar sexo desprotegido.
No que se refere às mulheres VIH-positivas, o sexo sem protecção estava associado a grupos etários mais elevados, desejo de engravidar e uso de canabis.
Os factores de risco para a prática de sexo sem protecção eram, de algum modo, diferentes no caso dos homens homossexuais do estudo, e incluíam escalões etários mais jovens, uso de drogas recreativas e uso de drogas destinadas ao tratamento da disfunção eréctil. Os homens homossexuais que referiam praticar sexo desprotegido também apresentavam uma maior probabilidade de afirmar que tinham uma melhor qualidade de vida sexual.
Recentemente, tem havido um grande debate sobre a carga viral e capacidade de infectar (infecciosidade). O estudo europeu produziu alguns resultados surpreendentes. Descobriu, por exemplo, que as pessoas a fazer terapêutica ARV apresentavam uma menor probabilidade de referir praticar sexo desprotegido. E que aqueles que conheciam o valor da sua carga viral, tinham ainda menor probabilidade de o praticar.
Alguma investigação proveniente dos EUA mostrou que os programas de prevenção para homens homossexuais conduzidos por homens gays VIH-positivos poderiam ajudar a reduzir os comportamentos sexuais de risco.
Também se discutiu na Conferência o que quer realmente dizer “prevenção positiva”. Um delegado referiu que as pessoas VIH-positivas raramente se envolviam no planeamento e na implementação de mensagens e programas de prevenção dirigidos a essa população.Transmissão do VIH
Há muitos subtipos do VIH. Por exemplo, o subtipo B é o mais frequente na Europa e América do Norte, enquanto o subtipo C é o mais frequente na região sul de África.
O estudo em causa envolveu 271 casais heterossexuais, no distrito de Rakai, no Uganda. Todos os casais eram serodiscordantes. Os dois subtipos mais comuns encontrados nos membros seropositivos dos casais foram o A e o D.
Os investigadores descobriram que a probabilidade de transmissão do subtipo A era superior à do D.
Colheu-se também mais evidência sobre o papel da carga viral na transmissão do vírus, uma vez que os parceiros dos indivíduos com carga viral elevada apresentavam maior probabilidade de ser infectados.
As infecções de transmissão sexual que provocam ulcerações também pareceram aumentar o risco de transmissão do VIH, em particular se estavam presentes no parceiro VIH-negativo.
Prevenção da tuberculose (TB)
A tuberculose é a principal causa isolada de doença e morte nas pessoas com VIH, a nível mundial.
Uma das maneiras de prevenir o aparecimento de tuberculose nas pessoas VIH-positivas em elevado risco de desenvolverem a doença consiste em fornecer-lhes tratamento preventivo, que frequentemente consiste na administração diária do fármaco anti-TB isoniazida.
Entre 2004 e 2007, os investigadores administraram isoniazida a quase 10 000 pessoas VIH-positivas. Descobriram que mais de três quartos das pessoas completaram o seu tratamento, e que se verificava uma reduzida taxa de TB naqueles que faziam o tratamento.
Um outro estudo, levado a cabo na Tailândia, também mostrou que a maioria das pessoas com VIH a quem era fornecida isoniazida completava o seu tratamento. O estudo mostrou ainda que o risco de TB activa era ligeiramente reduzido nestes doentes.
Outras notícias
Mais de 90% dos doentes apresentavam resistência aos ITRNNs efavirenze e nevirapina, 81% ao 3TC, 56% ao AZT ou d4T; a resistência ao tenofovir era de 23%. Uma contagem de CD4s inferior a 100 aumentava o risco de resistência.
Transmissão via net da Conferência e comentário dos especialistas
Assista aos webcasts da Conferência
A cobertura online da XVII Conferência Internacional da SIDA é disponibilizada pela kaisernetwork.org, um serviço de informação e notícias da Fundação Família Kaiser.
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