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Um único vírus é frequentemente o responsável pela infecção VIH, sugerindo a existência de uma importante barreira contra a infecção
Uma análise do vírus de 102 pessoas com infecção pelo VIH muito recente mostrou que, em três quartos dos casos, na origem de todos os vírus presentes em cada indivíduo estava apenas um único vírus, o que sugeriu aos investigadores que as defesas contra o VIH são muito eficazes e habitualmente capazes de evitar infecções por grandes quantidades de vírus.
Um elemento do grupo de investigação, o Prof. George Shaw, da Universidade do Alabama em Birmingham, disse ao The Birmingham News: “A razão por que este achado é tão importante é porque ele diz que, se nós estamos a tentar desenvolver uma vacina ou um microbicida ou o que quer que seja para evitar a transmissão da infecção, a única coisa que essa ferramenta tem de fazer é conseguir evitar a transmissão de um único vírus”. “Isso deve ser possível. Tudo o que haverá a fazer é fornecer um bloqueio adicional a um processo que é, já por si, eficiente”.
Pelo contrário, outras infecções sexualmente transmitidas são consequência da infecção por um elevado número de micro-organismos.
Estes achados, publicados na edição de 27 de Maio último dos Proceedings of the National Academy of Sciences, acrescentou consistência a estudos anteriores que estimavam existir um baixo risco de transmissão do VIH em cada contacto, referem os investigadores, e são também importantes porque devem encorajar os investigadores que trabalham na área das vacinas a focar-se nas características dos ‘vírus fundadores iniciais’ que escapam às defesas imunitárias e estabelecem infecções produtivas.
Contudo, o estudo também descobriu que, em metade dos homens que têm sexo com homens cujas amostras de vírus foram analisadas, a população viral encontrada descendia de múltiplos ‘vírus fundadores’.
Os investigadores referem não saber se este achado é consequência de um elevado número de parceiros num curto período de tempo (levando a múltiplas exposições ao VIH), estando, por isso, a investigar o problema noutras amostras populacionais.
O estudo agora em causa analisou amostras de 102 pessoas com vírus de subtipo B, 54 das quais eram dadores habituais de sangue, sem factores de risco identificados para a infecção pelo VIH. Os restantes indivíduos incluíam 23 heterossexuais com risco elevado, 20 homens que têm sexo com homens e um utilizador de drogas injectáveis.
Os investigadores sequenciaram 3499 genes env inteiros de 102 pessoas, procedendo depois à análise da sua diversidade.
Dado que todos os dias é produzida uma nova geração de viriões, e uma vez que as datas da infecção da maior parte das pessoas estudadas puderam ser identificadas com segurança, os investigadores conseguiram criar um modelo de previsão do grau de diversidade viral esperado num dado período de tempo, assumindo a existência de uma ausência de pressão do sistema imunitário para os vírus se alterarem (de forma a escaparem aos linfócitos citotóxicos durante as semanas iniciais da infecção).
Os investigadores identificaram 21 isolados virais que mostravam maior grau de diversidade do que os outros.
Continuaram o estudo procedendo à comparação dos padrões genéticos das sequências, para cada um dos participantes do estudo, e levando a cabo a elaboração de uma árvore filogenética, uma árvore de ancestrais que tenta conciliar o leque de diferenças observado entre as sequências, de forma a poder estabelecer-se um único ancestral comum.
Os investigadores identificaram 78 pessoas cuja evidência genética apontava para a existência de um único ‘vírus fundador’ e 24 em que os dados mostravam que a infecção parecia ter resultado de múltiplos vírus.
A análise de amostras longitudinais (o estudo da evolução viral em indivíduos para os quais se dispunha de amostras correspondentes a diferentes etapas da infecção primária) mostrou um declínio da proporção de sequências virais idênticas, de acordo com o modelo matemático de diversidade viral durante a infecção primária.
O estudo destas amostras também demonstrou que a população viral continuou a ser dominada de forma esmagadora pelos descendentes do vírus fundador, até que o aparecimento das respostas dos linfócitos citotóxicos conduzia ao aparecimento de formas ‘mutantes de escape’, na altura em que a carga viral descia e se tornava aparente uma resposta completa dos anticorpos.
As formas mutantes de escape são vírus que modificam os padrões do seu invólucro proteico, de forma a escapar aos linfócitos citotóxicos programados para reconhecer padrões particulares das proteínas do VIH.
A investigação também mostrou que os vírus fundadores eram todos sensíveis a anticorpos amplamente neutralizadores, mas que revelavam, com elevada frequência, resistência a anticorpos que tinham como alvo a ansa V3 do invólucro viral.
Os ‘vírus fundadores’ também mostraram uma sensibilidade diferente em comparação com os vírus de indivíduos cronicamente infectados, o que mostra a necessidade de a investigação na área das vacinas se focar nestes ‘vírus fundadores’, acrescenta a equipa de investigação.
Referência
Keele BF et al. Identification and characterization of transmitted and early founder virus envelopes in primary HIV-1infection. PNAS 105 (21): 7552-7557, 2008.
Um elemento do grupo de investigação, o Prof. George Shaw, da Universidade do Alabama em Birmingham, disse ao The Birmingham News: “A razão por que este achado é tão importante é porque ele diz que, se nós estamos a tentar desenvolver uma vacina ou um microbicida ou o que quer que seja para evitar a transmissão da infecção, a única coisa que essa ferramenta tem de fazer é conseguir evitar a transmissão de um único vírus”. “Isso deve ser possível. Tudo o que haverá a fazer é fornecer um bloqueio adicional a um processo que é, já por si, eficiente”.
Pelo contrário, outras infecções sexualmente transmitidas são consequência da infecção por um elevado número de micro-organismos.
Estes achados, publicados na edição de 27 de Maio último dos Proceedings of the National Academy of Sciences, acrescentou consistência a estudos anteriores que estimavam existir um baixo risco de transmissão do VIH em cada contacto, referem os investigadores, e são também importantes porque devem encorajar os investigadores que trabalham na área das vacinas a focar-se nas características dos ‘vírus fundadores iniciais’ que escapam às defesas imunitárias e estabelecem infecções produtivas.
Contudo, o estudo também descobriu que, em metade dos homens que têm sexo com homens cujas amostras de vírus foram analisadas, a população viral encontrada descendia de múltiplos ‘vírus fundadores’.
Os investigadores referem não saber se este achado é consequência de um elevado número de parceiros num curto período de tempo (levando a múltiplas exposições ao VIH), estando, por isso, a investigar o problema noutras amostras populacionais.
O estudo agora em causa analisou amostras de 102 pessoas com vírus de subtipo B, 54 das quais eram dadores habituais de sangue, sem factores de risco identificados para a infecção pelo VIH. Os restantes indivíduos incluíam 23 heterossexuais com risco elevado, 20 homens que têm sexo com homens e um utilizador de drogas injectáveis.
Os investigadores sequenciaram 3499 genes env inteiros de 102 pessoas, procedendo depois à análise da sua diversidade.
Dado que todos os dias é produzida uma nova geração de viriões, e uma vez que as datas da infecção da maior parte das pessoas estudadas puderam ser identificadas com segurança, os investigadores conseguiram criar um modelo de previsão do grau de diversidade viral esperado num dado período de tempo, assumindo a existência de uma ausência de pressão do sistema imunitário para os vírus se alterarem (de forma a escaparem aos linfócitos citotóxicos durante as semanas iniciais da infecção).
Os investigadores identificaram 21 isolados virais que mostravam maior grau de diversidade do que os outros.
Continuaram o estudo procedendo à comparação dos padrões genéticos das sequências, para cada um dos participantes do estudo, e levando a cabo a elaboração de uma árvore filogenética, uma árvore de ancestrais que tenta conciliar o leque de diferenças observado entre as sequências, de forma a poder estabelecer-se um único ancestral comum.
Os investigadores identificaram 78 pessoas cuja evidência genética apontava para a existência de um único ‘vírus fundador’ e 24 em que os dados mostravam que a infecção parecia ter resultado de múltiplos vírus.
A análise de amostras longitudinais (o estudo da evolução viral em indivíduos para os quais se dispunha de amostras correspondentes a diferentes etapas da infecção primária) mostrou um declínio da proporção de sequências virais idênticas, de acordo com o modelo matemático de diversidade viral durante a infecção primária.
O estudo destas amostras também demonstrou que a população viral continuou a ser dominada de forma esmagadora pelos descendentes do vírus fundador, até que o aparecimento das respostas dos linfócitos citotóxicos conduzia ao aparecimento de formas ‘mutantes de escape’, na altura em que a carga viral descia e se tornava aparente uma resposta completa dos anticorpos.
As formas mutantes de escape são vírus que modificam os padrões do seu invólucro proteico, de forma a escapar aos linfócitos citotóxicos programados para reconhecer padrões particulares das proteínas do VIH.
A investigação também mostrou que os vírus fundadores eram todos sensíveis a anticorpos amplamente neutralizadores, mas que revelavam, com elevada frequência, resistência a anticorpos que tinham como alvo a ansa V3 do invólucro viral.
Os ‘vírus fundadores’ também mostraram uma sensibilidade diferente em comparação com os vírus de indivíduos cronicamente infectados, o que mostra a necessidade de a investigação na área das vacinas se focar nestes ‘vírus fundadores’, acrescenta a equipa de investigação.
Referência
Keele BF et al. Identification and characterization of transmitted and early founder virus envelopes in primary HIV-1infection. PNAS 105 (21): 7552-7557, 2008.
