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Mais de 40% dos homens homossexuais infectados pelo VIH na Grã-Bretanha não foram diagnosticados e 60% crêem não estar infectados
Mais de 40% dos homossexuais diagnosticados com infecção pelo VIH em cinco centros de teste anónimo não sabiam que eram seropositivos, de acordo com os resultados de um estudo realizado na Grã-Bretanha e publicado na edição de 31 de Maio da revista AIDS. Isto é considerado como uma “tempestade” em termos de transmissão do VIH, segundo o editorial da referida revista. Tanto os autores como o editorial chama a atenção para a necessidade de melhores estratégias de despistagem do VIH, assim como de políticas renovadas de promoção de mudanças de comportamento, tais como redução de riscos nas práticas sexuais, uso de preservativo e redução do número de parceiros.
No sentido de melhor compreender as relações entre comportamentos sexuais de risco, despistagem do VIH e prevalência da infecção nas 5 maiores cidades da grâ-bretanha – London, Brighton, Manchester, Glasgow e Edinburgh – os investigadores do Medical Research Council’s Social and Public Health Sciences Unit de Glasgow e o Centre for Sexual Health and HIV Research, da UCL de Londres, conduziram inquéritos simultâneos à despistagem anónima do VIH em bares, clubes e saunas frequentadas por homossexuais em Londres, Brighton e Manchester em 2003/4 e em Glasgow e Edinburgh em 2005.
As principais conclusões, apresentadas há dois anos na 16ª Conferência Internacional de SIDA em Toronto, referiam que 41,2% dos homens homossexuais seropositivos para o VIH desconheciam o seu estatuto serológico, e estes valores variavam entre 48,1% em Glasgow e 33,3% em Brighton (44,1% não diagnosticados em Londres, 36,7% em Manchester e 36,4& em Edinburgh).
Neste artigo, os investigadores do Medical Research Council and Universiy College de Londres exploram as diferenças de comportamento (e outras) entre 187 homens que sabiam ser seropositivos para o VIH e 131 homens que não sabiam que estavam infectados. Esta é a primeira vez que o comportamento de homens homossexuais, que não sabiam do diagnóstico, é estudado em profundidade.
Antecedentes de despistagem e percepções relacionadas com o estatuto serológico
No total, 103 (81,1%) dos homens não diagnosticados referiram ter realizado um teste de despistagem do VIH previamente ao inquérito, sendo que 92% afirmaram ter um resultado negativo e os restantes 8% desconheciam o resultado da despistagem.
Os investigadores relatam que os homens não diagnosticados referiram com mais frequência ter efectuado um teste de despistagem no último ano, que os homens seronegativos para o VIH (45% versus 36%) e referiram menos nunca ter efectuado um teste (19% versus 32%; p= 0,005 para ambos os valores).
Quando avaliados em relação às percepções relacionadas com o seu estatuto serológico, só cinco (3,8%) dos homens não diagnosticados colocaram a hipótese de serem seropositivos para o VIH, enquanto que 81 (62,3%) pensavam que eram seronegativos e 44 (33,8%) disseram não ter ideia de qual seria o seu estatuto serológico.
Em comparação, 1,2% dos 3183 homens seronegativos para o VIH pensavam estar infectados, 83,8% achavam que eram seronegativos e 14,9% afirmavam não saber qual o seu estatuto serológico (p<0.001).
Comportamentos sexuais de risco
Os investigadores concluíram que tanto os homens seropositivos que sabiam do diagnóstico com os que não sabiam referiram significativamente mais parceiros sexuais, mais práticas sexuais de risco e mais infecções de transmissão sexual no último ano, que os homossexuais seronegativos para o VIH.
A análise multivariável, ajustada para a cidade de recrutamento, idade, nível de escolaridade, empregabilidade e antecedentes de despistagem, calculou a percentagem de probabilidade (AOR) de determinados comportamentos de risco para os homossexuais seropositivos diagnosticados e não diagnosticados em comparação com os homens seronegativos.
Em comparação com os homens seronegativos, os homens seropositivos diagnosticados ou não, tinham uma probabilidade significativamente mais elevada (p<0.001) de:
Contudo, apenas os homens seropositivos para o VIH que conheciam o seu diagnóstico tinham uma probabilidade significativamente mais elevada de ter tido penetração anal não protegida com parceiros ocasionais (AOR 3.29; p<0.001) e com parceiros que desconheciam o seu estatuto serológico ou tinham estatuto discordante (AOR 1.63; p=0.011), em comparação com os homossexuais seronegativos para o VIH.
Escolha de parceiro sexual de acordo com estatuto serológico (serosorting) e risco
Um estudo realizado em Londres em 2008, concluiu que muitos homossexuais seropositivos que escolhem o parceiro para penetração anal não protegida de acordo com o estatuto serológico (serosorting) estão, de forma não intencional, a ter comportamentos sexuais de risco com homens que nunca foram testados para o VIH ou com homens seronegativos, devido principalmente a percepções erradas acerca do estatuto serológico do outro.
Neste estudo, o serosorting foi referido por 29 homens seropositivos (representando 42% dos homens que referiram penetração anal não protegida com parceiros ocasionais e 18,5% do total dos homens com diagnóstico positivo para VIH). Entre os 100 homens diagnosticados no último ano, 18% referiram ter relações anais não protegidas com parceiros ocasionais com o mesmo estatuto serológico e 32% referiram ter este tipo de relações com parceiros com estatuto discordante ou desconhecido, no ano anterior ao inquérito.
O estudo detectou que 11 dos 75 homens seropositivos (com estatuto estatuto serológico desconhecido) que originalmente tinham referido não ter tido penetração anal não protegida com parceiros de estatuto desconhecido ou discordante, referiram que tinham tido a percepção de ser uma relação concordante em termos de estatuto serológico, ou seja, tinham tido penetração anal não protegida com homens que eles achavam ser seronegativos para o VIH. Juntando estes 11 homens aos 31 não diagnosticados que referiram relações anais não protegidas com parceiros de estatuto serológico desconhecido ou discordante, a proporção de homens não diagnosticados que potencialmente tiveram parceiros de estatuto discordante ou desconhecido aumenta para 40%, o que também aumenta a taxa de comportamentos de alto risco (AOR 2.30) nos homens não diagnosticados, em comparação com os homens seronegativos.
Implicações para a despistagem
“Apenas um em cada cinco homens com infecção pelo VIH não diagnosticada nunca tinha realizado um teste de despistagem e dois terços tinham a percepção de ser seronegativos” afirmam os investigadores. “Cerca de metade referiu que tinham realizado um teste com resultado negativo no ano anterior ao inquérito, sugerindo que se tratavam de recém infectados...com cargas virais altas no momento da seroconversão, podendo representar altos níveis de infecciosidade, mas baseavam as suas decisões de comportamento de risco sexual na assunção da seronegatividade para o VIH. Este facto, chama a atenção para os limites das estratégias de redução de risco sexual baseadas na afirmação do estatuto serológico para os homens seronegativos para o VIH”.
“Os nossos resultados sugerem que apoiar-se no resultado negativo de um teste anteriormente realizado, mesmo que tenha sido efectuado nos últimos doze meses, pode ser uma estratégia de prevenção ineficaz, se não for acompanhada de outras intervenções adicionais, tais como, o uso do preservativo e a redução do número de parceiros”, continuam os autores. Verificando a relação entre a ocorrência de infecções de transmissão sexual e a infecção pelo VIH não diagnosticada, os autores sugerem que “os serviços de saúde sexual...da Grã-Bretanha devem oferecer com assiduidade a despistagem do VIH aos homens homossexuais com infecções de transmissão sexual”.
Implicações para a prevenção
Embora uma prévia meta-análise tenha concluído que os homens seropositivos para o VIH têm menos comportamentos de risco que os que não foram diagnosticados, “no nosso estudo”, escrevem os autores “os homens que sabiam estar infectados pelo VIH foram os que referiram os níveis mais elevados de risco sexual e a maior probabilidade de ter penetração anal não protegida com dois ou mais parceiros, entre os homens diagnosticados no último ano, e isto sugere que a manutenção de práticas de sexo seguro pode ser um problema para as pessoas que vivem com a infecção pelo VIH.”
“Os nossos dados sugerem que a alteração de comportamentos, incluindo a promoção de práticas sexuais de menor risco, uso de preservativo e redução do número de parceiros sexuais, deve continuar a ser a maior componente dos esforços de prevenção da infecção pelo VIH, na Grã-Bretanha”, afirmam os autores.
Referem, igualmente, que “é urgente avaliar as intervenções comportamentais baseadas na evidência” e que “os serviços de saúde são os locais apropriados para este tipo de intervenções, dado que são de fácil acesso para os homens seropositivos e para os que estão em alto risco de seroconverter”.
Sublinham que “a oportunidade de questionar as percepções de baixo risco e reforçar as mensagens de sexo seguro entre os homens em alto risco de seroconverter existe, e deve ser aproveitada na prática clínica.”
Uma tempestade para a transmissão do VIH
O editorial que acompanha o artigo, da autoria de Thomas J Coates, da Universidade da Califórnia, sugere que tal prevalência de infecção pelo VIH não diagnosticada na Grã-Bretanha “apresenta-se como uma verdadeira tempestade para a transmissão da infecção.”
“O editor argumenta que as estratégias sugeridas pelos autores do estudo são úteis mas “não atingem necessariamente o coração do assunto...A verdade é que estes indivíduos têm outras prioridades para além de evitar a infecção pelo VIH, e como tal praticam actividades sexuais de alto risco – sexo anal receptivo não protegido – com parceiros que declaram ser seronegativos ou desconhecer o seu estatuto serológico ou que são seropositivos para o VIH. Este é o enigma mais difícil da promoção da saúde, e a prevenção da infecção pelo VIH confronta-se actualmente com as mesmas dificuldades que a prevenção de outros problemas de saúde, especialmente os que são causados pelo estilo de vida”, escreve o autor do editorial.
“Motivar os indivíduos para desistir de um benefício imediato em troca de um a longo prazo nunca foi fácil. Precisamos de melhores cérebros para conduzir esta tarefa para saber se é possível desenvolver estratégias mais inteligentes.” Sugere igualmente que o que falta à comunidade homossexual é o sentido da responsabilidade colectiva”, que caracterizou os primeiros tempos da epidemia de VIH. “Precisamos de liderança que parta de dentro da comunidade para encorajar a preocupação do colectivo, de forma a que a norma da comunidade, seja novamente, a de encontrar o equilíbrio entre o desejo individual e o desejo de cuidar dos outros”, argumenta o autor.
Sugere ainda que o aumento de risco observado entre os homossexuais dos países desenvolvidos pode ser replicado nos países de recursos limitados, quando os programas de acesso à terapêutica forem finalmente alargados.
“Deve obrigar-nos a preparar”, conclui, “para o que venha a acontecer no futuro...Talvez possamos começar a preparar agora, e assim evitar os mesmos resultados.”
References
Williamson, LM et al. Sexual risk behaviour and knowledge of HIV status among community samples of gay men in the UK. AIDS 22(9): 1063-1070, 2008.
Coates TJ. What is to be done? AIDS 22(9): 1079-1080, 2008.
No sentido de melhor compreender as relações entre comportamentos sexuais de risco, despistagem do VIH e prevalência da infecção nas 5 maiores cidades da grâ-bretanha – London, Brighton, Manchester, Glasgow e Edinburgh – os investigadores do Medical Research Council’s Social and Public Health Sciences Unit de Glasgow e o Centre for Sexual Health and HIV Research, da UCL de Londres, conduziram inquéritos simultâneos à despistagem anónima do VIH em bares, clubes e saunas frequentadas por homossexuais em Londres, Brighton e Manchester em 2003/4 e em Glasgow e Edinburgh em 2005.
As principais conclusões, apresentadas há dois anos na 16ª Conferência Internacional de SIDA em Toronto, referiam que 41,2% dos homens homossexuais seropositivos para o VIH desconheciam o seu estatuto serológico, e estes valores variavam entre 48,1% em Glasgow e 33,3% em Brighton (44,1% não diagnosticados em Londres, 36,7% em Manchester e 36,4& em Edinburgh).
Neste artigo, os investigadores do Medical Research Council and Universiy College de Londres exploram as diferenças de comportamento (e outras) entre 187 homens que sabiam ser seropositivos para o VIH e 131 homens que não sabiam que estavam infectados. Esta é a primeira vez que o comportamento de homens homossexuais, que não sabiam do diagnóstico, é estudado em profundidade.
Antecedentes de despistagem e percepções relacionadas com o estatuto serológico
No total, 103 (81,1%) dos homens não diagnosticados referiram ter realizado um teste de despistagem do VIH previamente ao inquérito, sendo que 92% afirmaram ter um resultado negativo e os restantes 8% desconheciam o resultado da despistagem.
Os investigadores relatam que os homens não diagnosticados referiram com mais frequência ter efectuado um teste de despistagem no último ano, que os homens seronegativos para o VIH (45% versus 36%) e referiram menos nunca ter efectuado um teste (19% versus 32%; p= 0,005 para ambos os valores).
Quando avaliados em relação às percepções relacionadas com o seu estatuto serológico, só cinco (3,8%) dos homens não diagnosticados colocaram a hipótese de serem seropositivos para o VIH, enquanto que 81 (62,3%) pensavam que eram seronegativos e 44 (33,8%) disseram não ter ideia de qual seria o seu estatuto serológico.
Em comparação, 1,2% dos 3183 homens seronegativos para o VIH pensavam estar infectados, 83,8% achavam que eram seronegativos e 14,9% afirmavam não saber qual o seu estatuto serológico (p<0.001).
Comportamentos sexuais de risco
Os investigadores concluíram que tanto os homens seropositivos que sabiam do diagnóstico com os que não sabiam referiram significativamente mais parceiros sexuais, mais práticas sexuais de risco e mais infecções de transmissão sexual no último ano, que os homossexuais seronegativos para o VIH.
A análise multivariável, ajustada para a cidade de recrutamento, idade, nível de escolaridade, empregabilidade e antecedentes de despistagem, calculou a percentagem de probabilidade (AOR) de determinados comportamentos de risco para os homossexuais seropositivos diagnosticados e não diagnosticados em comparação com os homens seronegativos.
Em comparação com os homens seronegativos, os homens seropositivos diagnosticados ou não, tinham uma probabilidade significativamente mais elevada (p<0.001) de:
- Ter tido dez ou mais parceiros sexuais (homens diagnosticados AOR 2.53; não diagnosticados, AOR 1.73)
- Ter tido dez ou mais relações com penetração anal (homens diagnosticados, AOR 3.62; não diagnosticados AOR 2.22)
- Ter tido 2 ou mais penetrações anais não protegidas (homens diagnosticados, AOR 9.80; não diagnosticados AOR 2,21)
- E ter tido uma infecção de transmissão sexual no último ano (homens diagnosticados, AOR 7.19: não diagnosticados, AOR 3.09).
Contudo, apenas os homens seropositivos para o VIH que conheciam o seu diagnóstico tinham uma probabilidade significativamente mais elevada de ter tido penetração anal não protegida com parceiros ocasionais (AOR 3.29; p<0.001) e com parceiros que desconheciam o seu estatuto serológico ou tinham estatuto discordante (AOR 1.63; p=0.011), em comparação com os homossexuais seronegativos para o VIH.
Escolha de parceiro sexual de acordo com estatuto serológico (serosorting) e risco
Um estudo realizado em Londres em 2008, concluiu que muitos homossexuais seropositivos que escolhem o parceiro para penetração anal não protegida de acordo com o estatuto serológico (serosorting) estão, de forma não intencional, a ter comportamentos sexuais de risco com homens que nunca foram testados para o VIH ou com homens seronegativos, devido principalmente a percepções erradas acerca do estatuto serológico do outro.
Neste estudo, o serosorting foi referido por 29 homens seropositivos (representando 42% dos homens que referiram penetração anal não protegida com parceiros ocasionais e 18,5% do total dos homens com diagnóstico positivo para VIH). Entre os 100 homens diagnosticados no último ano, 18% referiram ter relações anais não protegidas com parceiros ocasionais com o mesmo estatuto serológico e 32% referiram ter este tipo de relações com parceiros com estatuto discordante ou desconhecido, no ano anterior ao inquérito.
O estudo detectou que 11 dos 75 homens seropositivos (com estatuto estatuto serológico desconhecido) que originalmente tinham referido não ter tido penetração anal não protegida com parceiros de estatuto desconhecido ou discordante, referiram que tinham tido a percepção de ser uma relação concordante em termos de estatuto serológico, ou seja, tinham tido penetração anal não protegida com homens que eles achavam ser seronegativos para o VIH. Juntando estes 11 homens aos 31 não diagnosticados que referiram relações anais não protegidas com parceiros de estatuto serológico desconhecido ou discordante, a proporção de homens não diagnosticados que potencialmente tiveram parceiros de estatuto discordante ou desconhecido aumenta para 40%, o que também aumenta a taxa de comportamentos de alto risco (AOR 2.30) nos homens não diagnosticados, em comparação com os homens seronegativos.
Implicações para a despistagem
“Apenas um em cada cinco homens com infecção pelo VIH não diagnosticada nunca tinha realizado um teste de despistagem e dois terços tinham a percepção de ser seronegativos” afirmam os investigadores. “Cerca de metade referiu que tinham realizado um teste com resultado negativo no ano anterior ao inquérito, sugerindo que se tratavam de recém infectados...com cargas virais altas no momento da seroconversão, podendo representar altos níveis de infecciosidade, mas baseavam as suas decisões de comportamento de risco sexual na assunção da seronegatividade para o VIH. Este facto, chama a atenção para os limites das estratégias de redução de risco sexual baseadas na afirmação do estatuto serológico para os homens seronegativos para o VIH”.
“Os nossos resultados sugerem que apoiar-se no resultado negativo de um teste anteriormente realizado, mesmo que tenha sido efectuado nos últimos doze meses, pode ser uma estratégia de prevenção ineficaz, se não for acompanhada de outras intervenções adicionais, tais como, o uso do preservativo e a redução do número de parceiros”, continuam os autores. Verificando a relação entre a ocorrência de infecções de transmissão sexual e a infecção pelo VIH não diagnosticada, os autores sugerem que “os serviços de saúde sexual...da Grã-Bretanha devem oferecer com assiduidade a despistagem do VIH aos homens homossexuais com infecções de transmissão sexual”.
Implicações para a prevenção
Embora uma prévia meta-análise tenha concluído que os homens seropositivos para o VIH têm menos comportamentos de risco que os que não foram diagnosticados, “no nosso estudo”, escrevem os autores “os homens que sabiam estar infectados pelo VIH foram os que referiram os níveis mais elevados de risco sexual e a maior probabilidade de ter penetração anal não protegida com dois ou mais parceiros, entre os homens diagnosticados no último ano, e isto sugere que a manutenção de práticas de sexo seguro pode ser um problema para as pessoas que vivem com a infecção pelo VIH.”
“Os nossos dados sugerem que a alteração de comportamentos, incluindo a promoção de práticas sexuais de menor risco, uso de preservativo e redução do número de parceiros sexuais, deve continuar a ser a maior componente dos esforços de prevenção da infecção pelo VIH, na Grã-Bretanha”, afirmam os autores.
Referem, igualmente, que “é urgente avaliar as intervenções comportamentais baseadas na evidência” e que “os serviços de saúde são os locais apropriados para este tipo de intervenções, dado que são de fácil acesso para os homens seropositivos e para os que estão em alto risco de seroconverter”.
Sublinham que “a oportunidade de questionar as percepções de baixo risco e reforçar as mensagens de sexo seguro entre os homens em alto risco de seroconverter existe, e deve ser aproveitada na prática clínica.”
Uma tempestade para a transmissão do VIH
O editorial que acompanha o artigo, da autoria de Thomas J Coates, da Universidade da Califórnia, sugere que tal prevalência de infecção pelo VIH não diagnosticada na Grã-Bretanha “apresenta-se como uma verdadeira tempestade para a transmissão da infecção.”
“O editor argumenta que as estratégias sugeridas pelos autores do estudo são úteis mas “não atingem necessariamente o coração do assunto...A verdade é que estes indivíduos têm outras prioridades para além de evitar a infecção pelo VIH, e como tal praticam actividades sexuais de alto risco – sexo anal receptivo não protegido – com parceiros que declaram ser seronegativos ou desconhecer o seu estatuto serológico ou que são seropositivos para o VIH. Este é o enigma mais difícil da promoção da saúde, e a prevenção da infecção pelo VIH confronta-se actualmente com as mesmas dificuldades que a prevenção de outros problemas de saúde, especialmente os que são causados pelo estilo de vida”, escreve o autor do editorial.
“Motivar os indivíduos para desistir de um benefício imediato em troca de um a longo prazo nunca foi fácil. Precisamos de melhores cérebros para conduzir esta tarefa para saber se é possível desenvolver estratégias mais inteligentes.” Sugere igualmente que o que falta à comunidade homossexual é o sentido da responsabilidade colectiva”, que caracterizou os primeiros tempos da epidemia de VIH. “Precisamos de liderança que parta de dentro da comunidade para encorajar a preocupação do colectivo, de forma a que a norma da comunidade, seja novamente, a de encontrar o equilíbrio entre o desejo individual e o desejo de cuidar dos outros”, argumenta o autor.
Sugere ainda que o aumento de risco observado entre os homossexuais dos países desenvolvidos pode ser replicado nos países de recursos limitados, quando os programas de acesso à terapêutica forem finalmente alargados.
“Deve obrigar-nos a preparar”, conclui, “para o que venha a acontecer no futuro...Talvez possamos começar a preparar agora, e assim evitar os mesmos resultados.”
References
Williamson, LM et al. Sexual risk behaviour and knowledge of HIV status among community samples of gay men in the UK. AIDS 22(9): 1063-1070, 2008.
Coates TJ. What is to be done? AIDS 22(9): 1079-1080, 2008.
