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Não há relação entre o tratamento com antidepressivos e o risco de cancro nas pessoas com VIH
De acordo com um estudo britânico publicado na edição de 10 de Maio último da revista Journal of Clinical Oncology, o tratamento com antidepressivos não aumenta o risco de nenhum tipo de cancro nas pessoas infectadas pelo VIH. Os investigadores analisaram a utilização por pessoas seropositivas tanto dos antidepressivos tricíclicos (fármacos mais antigos), como dos ISRSs (fármacos mais recentes), quer antes quer depois dos tratamentos anti-VIH eficazes se terem tornado disponíveis.
A sigla ISRS significa Inibidores Selectivos da Recaptação da Serotonina. Este grupo de fármacos inclui, por exemplo, a bem conhecida fluoxetina.
Existe informação contraditória sobre a relação do uso quer dos tricíclicos quer dos ISRSs com risco aumentado de cancro. Alguns estudos mostraram uma ligação entre o uso destas substâncias e o risco de alguns cancros, mas outros não. Por outro lado, outra investigação sugeriu que o tratamento com ISRSs poderia ter um efeito anti-cancerígeno em doentes com linfoma de Burkitt.
Nenhum estudo anterior havia analisado a possível relação entre o uso de antidepressivos tricíclicos ou ISRSs e o risco de cancro, em pessoas infectadas pelo VIH, quer antes quer depois do aparecimento dos tratamentos anti-retrovirais eficazes (ou seja, os tratamentos HAART). Nem qualquer outro estudo havia anteriormente investigado a possível ligação entre cancro e tratamento com antidepressivos e as classes individuais de fármacos anti-retrovirais.
Assim, e com este objectivo, um grupo de investigadores do London’s Chelsea and Westminster Hospital foi estudar os registos dos 11 000 doentes que tinham recebido tratamento anti-VIH nesse hospital. E descobriram que, do número total de doentes, 952 haviam recebido tratamento com um antidepressivo do grupo dos ISRSs e 919 com um antidepressivo tricíclico.
Um total de 144 desses doentes (9%) tinham sido tratados com um antidepressivo nos 3 meses anteriores a ter-lhes sido feito o diagnóstico de cancro.
Mas os investigadores não conseguiram descobrir qualquer associação entre o uso de qualquer tipo de antidepressivo e o desenvolvimento de cancro, tanto no período anterior como no período posterior à introdução do tratamento ARV (anti-retroviral) eficaz. Também não encontraram qualquer relação entre o uso de antidepressivos (de qualquer tipo) e risco de cancro, nos doentes a tomar fármacos de qualquer das classes de ARVs.
O único factor para o qual descobriram uma relação com o risco de cancro, foi uma contagem baixa de CD4s.
Além disso, o estudo não conseguiu mostrar a presença de quaisquer efeitos do tratamento com ISRSs – positivos ou negativos – em doentes com o diagnóstico de linfoma não-Hodgkin, sarcoma de Kaposi, linfomas do sistema nervoso central ou linfoma de Burkitt.
“Descobrimos que, em indivíduos infectados com VIH, predispostos a uma ampla variedade de cancros, os vários antidepressivos estudados não estão associados com uma alteração do risco de cancro, tanto na era pré-HAART, como na era pós-HAART”, escrevem os investigadores.
Os investigadores destacam ainda os potenciais benefícios do tratamento antidepressivo em algumas pessoas seropositivas com depressão, referindo-se a estudos que mostram que o uso desses fármacos pode estimular e aumentar a adesão aos tratamentos ARVs nesses doentes.
Referência
Stebbing J et al. Use of antidepressants and the risk of cancer in individuals infected with HIV. Journal of Clinical Oncology 14: 2305 – 2310, 2008.
A sigla ISRS significa Inibidores Selectivos da Recaptação da Serotonina. Este grupo de fármacos inclui, por exemplo, a bem conhecida fluoxetina.
Existe informação contraditória sobre a relação do uso quer dos tricíclicos quer dos ISRSs com risco aumentado de cancro. Alguns estudos mostraram uma ligação entre o uso destas substâncias e o risco de alguns cancros, mas outros não. Por outro lado, outra investigação sugeriu que o tratamento com ISRSs poderia ter um efeito anti-cancerígeno em doentes com linfoma de Burkitt.
Nenhum estudo anterior havia analisado a possível relação entre o uso de antidepressivos tricíclicos ou ISRSs e o risco de cancro, em pessoas infectadas pelo VIH, quer antes quer depois do aparecimento dos tratamentos anti-retrovirais eficazes (ou seja, os tratamentos HAART). Nem qualquer outro estudo havia anteriormente investigado a possível ligação entre cancro e tratamento com antidepressivos e as classes individuais de fármacos anti-retrovirais.
Assim, e com este objectivo, um grupo de investigadores do London’s Chelsea and Westminster Hospital foi estudar os registos dos 11 000 doentes que tinham recebido tratamento anti-VIH nesse hospital. E descobriram que, do número total de doentes, 952 haviam recebido tratamento com um antidepressivo do grupo dos ISRSs e 919 com um antidepressivo tricíclico.
Um total de 144 desses doentes (9%) tinham sido tratados com um antidepressivo nos 3 meses anteriores a ter-lhes sido feito o diagnóstico de cancro.
Mas os investigadores não conseguiram descobrir qualquer associação entre o uso de qualquer tipo de antidepressivo e o desenvolvimento de cancro, tanto no período anterior como no período posterior à introdução do tratamento ARV (anti-retroviral) eficaz. Também não encontraram qualquer relação entre o uso de antidepressivos (de qualquer tipo) e risco de cancro, nos doentes a tomar fármacos de qualquer das classes de ARVs.
O único factor para o qual descobriram uma relação com o risco de cancro, foi uma contagem baixa de CD4s.
Além disso, o estudo não conseguiu mostrar a presença de quaisquer efeitos do tratamento com ISRSs – positivos ou negativos – em doentes com o diagnóstico de linfoma não-Hodgkin, sarcoma de Kaposi, linfomas do sistema nervoso central ou linfoma de Burkitt.
“Descobrimos que, em indivíduos infectados com VIH, predispostos a uma ampla variedade de cancros, os vários antidepressivos estudados não estão associados com uma alteração do risco de cancro, tanto na era pré-HAART, como na era pós-HAART”, escrevem os investigadores.
Os investigadores destacam ainda os potenciais benefícios do tratamento antidepressivo em algumas pessoas seropositivas com depressão, referindo-se a estudos que mostram que o uso desses fármacos pode estimular e aumentar a adesão aos tratamentos ARVs nesses doentes.
Referência
Stebbing J et al. Use of antidepressants and the risk of cancer in individuals infected with HIV. Journal of Clinical Oncology 14: 2305 – 2310, 2008.
