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Estudo africano avalia segurança da terapêutica anti-retroviral durante a gravidez
De acordo com um estudo desenvolvido na Costa do Marfim e publicado na edição de 12 de Setembro da revista AIDS, a terapêutica anti-retroviral (ARV) de combinação reduz significativamente o risco de uma mulher em estádio avançado de infecção pelo VIH ter um bebé infectado pelo VIH, embora aumente o risco de o bebé apresentar baixo peso ao nascer.
Mas os investigadores descobriram que o baixo peso ao nascer não aumentava a mortalidade infantil; o único factor de risco para este desfecho era a infecção pelo VIH no bebé.
A segurança da administração na gravidez de terapêutica ARV tripla tem sido muito debatida. Embora tenha sido consistentemente demonstrado que esta administração previne a transmissão mãe-filho do vírus, alguns estudos conduzidos em países de mais recursos, como o Reino Unido, outros países europeus ou os EUA, têm produzido resultados contraditórios sobre o risco de parto prematuro ou o risco do bebé apresentar baixo peso.
Até ao presente, tem havido pouca experiência de utilização da terapêutica tripla na gravidez em África; deste modo, há muito pouca informação sobre os efeitos de tal tratamento na gravidez.
Foi neste contexto que um grupo internacional de investigadores analisou os resultados de dois coortes de mulheres seropositivas grávidas na Costa do Marfim, mulheres que haviam recebido diferentes tipos de tratamento ARV para evitar a transmissão mãe-filho do VIH.
O primeiro grupo de mulheres, estudado entre 2001 e 2003, tinha feito tratamento de curta duração ou com AZT, ou com AZT e 3TC e uma dose única de nevirapina durante o parto. O segundo grupo havia recebido terapêutica tripla, entre os finais de 2003 e 2007.
Como profilaxia contra a infecção VIH, os recém-nascidos das mulheres dos dois coortes receberam duas doses de xarope de nevirapina e AZT, durante sete dias depois do parto.
Os investigadores compararam as diferenças entre os dois grupos nas taxas de: nados mortos, baixo peso ao nascer (peso inferior a 2 500 g), muito baixo peso ao nascer (abaixo das 2 000 g) e mortalidade infantil (morte durante o primeiro ano de vida).
A contagem média de células CD4 das 175 mulheres do primeiro grupo (que haviam recebido mono ou bi-terapia de curta duração) era de 177 células/mm3; no outro grupo, grupo em que as mulheres haviam recebido tri-terapia, o valor médio das células CD4 era de 182 células/mm3, uma diferença não significativa. A duração média da mono ou bi-terapia foi ligeiramente inferior a 5 semanas; por seu lado, a da tri-terapia, foi de quase 12 semanas.
No que respeita à taxa de nados mortos, os investigadores não encontraram diferenças significativas entre os dois grupos, situando-se o valor em cerca de 3% nos dois casos.
O seguinte parâmetro analisado foi o número de bebés com baixo peso ao nascer (BPN). Enquanto o grupo que havia recebido a terapêutica tripla apresentava uma taxa de 22% de bebés com BPN, no grupo da mono/biterapia esse valor era de 12%, o que representou uma diferença estatisticamente significativa (p = 0.02).
Quando os investigadores restringiram a análise às mulheres tratadas com triterapia, descobriram não haver uma diferença no risco de ter um bebé com BPN entre as mulheres que iniciavam a triterapia antes da gravidez (25%) e durante a gravidez (21%).
Além do uso de triterapia (p = 0.03), outro factor associado com risco de BPN era o baixo índice de massa corporal materno (abaixo de 25kg/m2, p = 0.013).
No que se refere ao risco de muito baixo peso ao nascer, não se registaram diferenças entre os dois grupos.
Um total de 16% das mães que receberam mono ou biterapia teve um bebé seropositivo VIH, comparado com 2% no caso das mães que haviam feito triterapia.
Aproximadamente 7% dos bebés morreram no primeiro ano de vida. Mas nem o BPN, nem o uso materno de terapêutica tripla constituíram factores de risco para este evento. O único factor de risco para mortalidade infantil era a infecção pelo VIH pediátrica (adjusted odds ratio 11.9, 95% IC, 4.8 – 29.5).
Os investigadores concluem que “devem ser criados mais sistemas internacionais de fármaco-vigilância em larga escala para avaliar os desfechos da gravidez, no contexto do uso de terapêutica ARV na mulher grávida”.
Referência
Ekouevi DK et al. Antiretroviral therapy in pregnant women with advanced HIV disease and pregnancy outcomes in Adidjan, Cote d’Ivoire. AIDS 22: 1815 – 1820, 2008.
Mas os investigadores descobriram que o baixo peso ao nascer não aumentava a mortalidade infantil; o único factor de risco para este desfecho era a infecção pelo VIH no bebé.
A segurança da administração na gravidez de terapêutica ARV tripla tem sido muito debatida. Embora tenha sido consistentemente demonstrado que esta administração previne a transmissão mãe-filho do vírus, alguns estudos conduzidos em países de mais recursos, como o Reino Unido, outros países europeus ou os EUA, têm produzido resultados contraditórios sobre o risco de parto prematuro ou o risco do bebé apresentar baixo peso.
Até ao presente, tem havido pouca experiência de utilização da terapêutica tripla na gravidez em África; deste modo, há muito pouca informação sobre os efeitos de tal tratamento na gravidez.
Foi neste contexto que um grupo internacional de investigadores analisou os resultados de dois coortes de mulheres seropositivas grávidas na Costa do Marfim, mulheres que haviam recebido diferentes tipos de tratamento ARV para evitar a transmissão mãe-filho do VIH.
O primeiro grupo de mulheres, estudado entre 2001 e 2003, tinha feito tratamento de curta duração ou com AZT, ou com AZT e 3TC e uma dose única de nevirapina durante o parto. O segundo grupo havia recebido terapêutica tripla, entre os finais de 2003 e 2007.
Como profilaxia contra a infecção VIH, os recém-nascidos das mulheres dos dois coortes receberam duas doses de xarope de nevirapina e AZT, durante sete dias depois do parto.
Os investigadores compararam as diferenças entre os dois grupos nas taxas de: nados mortos, baixo peso ao nascer (peso inferior a 2 500 g), muito baixo peso ao nascer (abaixo das 2 000 g) e mortalidade infantil (morte durante o primeiro ano de vida).
A contagem média de células CD4 das 175 mulheres do primeiro grupo (que haviam recebido mono ou bi-terapia de curta duração) era de 177 células/mm3; no outro grupo, grupo em que as mulheres haviam recebido tri-terapia, o valor médio das células CD4 era de 182 células/mm3, uma diferença não significativa. A duração média da mono ou bi-terapia foi ligeiramente inferior a 5 semanas; por seu lado, a da tri-terapia, foi de quase 12 semanas.
No que respeita à taxa de nados mortos, os investigadores não encontraram diferenças significativas entre os dois grupos, situando-se o valor em cerca de 3% nos dois casos.
O seguinte parâmetro analisado foi o número de bebés com baixo peso ao nascer (BPN). Enquanto o grupo que havia recebido a terapêutica tripla apresentava uma taxa de 22% de bebés com BPN, no grupo da mono/biterapia esse valor era de 12%, o que representou uma diferença estatisticamente significativa (p = 0.02).
Quando os investigadores restringiram a análise às mulheres tratadas com triterapia, descobriram não haver uma diferença no risco de ter um bebé com BPN entre as mulheres que iniciavam a triterapia antes da gravidez (25%) e durante a gravidez (21%).
Além do uso de triterapia (p = 0.03), outro factor associado com risco de BPN era o baixo índice de massa corporal materno (abaixo de 25kg/m2, p = 0.013).
No que se refere ao risco de muito baixo peso ao nascer, não se registaram diferenças entre os dois grupos.
Um total de 16% das mães que receberam mono ou biterapia teve um bebé seropositivo VIH, comparado com 2% no caso das mães que haviam feito triterapia.
Aproximadamente 7% dos bebés morreram no primeiro ano de vida. Mas nem o BPN, nem o uso materno de terapêutica tripla constituíram factores de risco para este evento. O único factor de risco para mortalidade infantil era a infecção pelo VIH pediátrica (adjusted odds ratio 11.9, 95% IC, 4.8 – 29.5).
Os investigadores concluem que “devem ser criados mais sistemas internacionais de fármaco-vigilância em larga escala para avaliar os desfechos da gravidez, no contexto do uso de terapêutica ARV na mulher grávida”.
Referência
Ekouevi DK et al. Antiretroviral therapy in pregnant women with advanced HIV disease and pregnancy outcomes in Adidjan, Cote d’Ivoire. AIDS 22: 1815 – 1820, 2008.
