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Desde 1998 que a transmissão mãe-filho no Reino Unido e na Irlanda tem-se mantido abaixo dos 2%
Kelly Morris, Wednesday, June 04, 2008
Segundo o artigo publicado na edição de 11 de Maio da Revista AIDS, investigadores britânicos concluíram que, desde a implementação de estratégias eficazes como a aplicação do teste de despistagem na rotina pré-natal e a utilização de regimes terapêuticos potenciados para reduzir a probabilidade de transmissão do VIH entre mãe-filho (TMF), as taxas têm-se mantido abaixo dos 2% há quase dez anos, no Reino Unido e na Irlanda.

Estudos clínicos indicam que a transmissão mãe/filho do VIH pode ser reduzida utilizando várias combinações de medicamentos anti-retrovirais durante a gravidez, conforme a opção do tipo de parto e a exclusão da amamentação. São recomendadas diferentes estratégias, em função do estádio de infecção pelo VIH da mãe.

O padrão dos cuidados de saúde em muitos dos países ricos com recursos traduz-se na terapêutica anti-retroviral eficaz para a mãe, mas as orientações britânicas incluem também a opção de monoterapia com AZT e parto por cesariana para as mulheres com uma contagem elevada de células CD4 e carga viral inferior a 6000-10000 cópias/ml, antes do inicio da terapêutica anti-retroviral.

Os autores acrescentam que "se tornou evidente que uma abordagem mais livre ao tipo de parto escolhido das mulheres que alcançam uma supressão viral com a utilização da Terapêutica Anti-retroviral Altamente Eficaz, tornou-se evidente com o aumento da taxa de partos vaginais planeados".

No Reino Unido e na Irlanda as taxas de TMF desceram de 20% em 1993 para 2% em 1998. Desde então, o teste do VIH incluído na rotina pré-natal, permite diagnosticar a maior parte das infecções pelo VIH, antes do parto. Uma vez que existem poucos estudos de avaliação da eficácia das diferentes combinações de medicamentos e do tipo de parto escolhido, um grupo de cientistas liderado por Claire Townsend da University College, em Londres, analisou os dados de rotina relatados por obstetras e pediatras para o sistema de vigilância nacional. Os nascimentos múltiplos foram excluídos da análise. Foi analisada a informação referente a todas as crianças cujo estado da infecção tinha sido notificado.

Entre 2000 e 2006 nasceram 5930 bebés de mães seropositivas: a maioria destas mães eram negras de origem africana a fazer terapêutica anti-retroviral (três ou mais medicamentos) e que tinham planeado uma cesariana. Cerca de 45% das mães foram diagnosticados antes da gravidez. No geral, a taxa TMF foi de 1,2% (61/5151) e de 0,8% (40/4864) para as mulheres que tinham recebido, pelo menos, 14 dias de TAR (p = 0,15). As taxas de TMF baixaram durante o período do inquérito, não obstante o aumento do número absoluto de nascimentos.

De acordo com as orientações britânicas, as taxas de transmissão, foram as seguintes: 0,7% para mulheres a fazer a TAR e com a cesariana planeada; 0,7% para mulheres a fazer TAR com parto vaginal planeado e 0% para a monoterapia com AZT e cesariana planeada. As mulheres que não recebiam TAR apresentavam um risco mais elevado de transmissão, enquanto que o parto vaginal não planeado acarretava um risco significativo quando comparado com o parto vaginal ou cesariana planeados. Um aumento no tempo de duração sob tratamentos foi relacionado com a diminuição do riscos de transmissão (p = 0,007), resultando em poucos nascimentos de crianças infectadas pelo VIH, quando as mães apresentavam uma carga viral <50 cópias/ml.

Os investigadores acrescentam que estes valores baixos representam "um notável acontecimento". A realização do teste numa fase inicial da gravidez continua a ser uma prioridade, em conjunto com as novas reduções na TMF que pode ser visto com uma melhor cobertura das grávidas pelo teste de despistagem. Segundo os investigadores, as opções actuais apresentadas às mulheres grávidas seropositivas nas orientações britânica parecem ser eficazes.


Reference

Townsend C et al. Low rates of mother-to-child transmission of HIV following effective pregnancy interventions in the United Kingdom and Ireland, 2000–2006. AIDS 22: 973–981, 2008.